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Eu diria a ela

  • 13 de out. de 2016
  • 2 min de leitura

Aperte o play : Keane - Somewhere Only We Know


Eu vi ela passando a rua, era alguém que costumava conhecer

Pensei ter visto ela cantando, pensei ter visto ela chorando mas ela nunca foi de falar muito.

Alguns sentimentos são como uma sinfonia, outros são como um sonho, eu nunca a disse o suficiente o quanto era bom ela ser quem ela era com as duas pintas marcadas no olho direito, a garota míope, insegura que sentia a felicidade e a tristeza com a mesma intensidade.


Assim como ela, na idade dela estávamos procurando algo na qual pudéssemos nos orgulhar , mas a gente acaba colecionando alguns remendos e arrependimentos. Mas se eu pudesse diria a ela que meus maiores arrependimentos foi ter deixado de fazer as coisas que eu queria fazer, por medo ou desaprovação. No final das contas a gente envelhece e ninguém pode pesar nos nossos ombros.



Eu diria a ela que o mundo é cruel, por que ele nos deixa escolher e arcar com as nossas escolhas, ele é cruel por que a novidade perde o gosto, e gente aprende que nem sempre nossos pais estão certos, as pessoas não vão ser confiáveis e as relações mudam. Eu diria que é cruel porque nossas dores serão sempre nossa e que nunca vai existir uma receita pra seguir em frente.


Eu diria a ela que com o tempo ela vai se tornando essa parede de memórias, e o sorriso quadrado morando dentro de um porta-retrato, que ela vai se tornar as cartas guardadas na caixa de sapato, o pijama manchado de pasta de dente. Que ela vai se tornar os boletos vencidos guardados no armário da cozinha que ela foi deixando pra la. Ela vai se tornar aquele pedido de desculpa que ela deixou entalado na garganta por anos e a tatuagem que ela queria fazer mas nunca fez.

O amor da vida dele que nunca mais vai voltar e o filme que ela viu de trás pra frente.


Eu diria a ela pra não ser cruel consigo mesmo, porque muitas coisas não estão sobre o nosso controle, existe o fator sorte, a probabilidade, o destino e a vontade de Deus.

Eu diria que a vida é engraçada, árdua, vazia, cheia e que e um belo dia a gente deixa de existir.

Então pra que seguir tantas regras, protocolos?


A gente acaba sendo aquilo que a vida nos leva a ser e ironicamente a vida é aquilo que a gente quer que seja. Eu diria a ela fuja, fuja pra longe, onde possa respirar.....





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