O gosto de se viver
- 3 de nov. de 2016
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Numa quarta-feira, chuvosa, e os pingos escorrendo pela janela. Em um café qualquer escondido em alguma esquina de São Paulo, no café forte, no gosto amargo de um dia nublado. Nunca me dei bem com esse conformismo, ou jogo de amor ou em tentar me explicar, porque eu não gosto de me explicar. Pra gente como eu, não é qualquer risco que vale a pena, nem qualquer entretenimento ou qualquer amor, não é qualquer galera nem qualquer palavra, mas quando eu dou por mim não estou tão vazia, tenho a beleza do caminhar nessa cidade, sabendo que a gente até vai ralar nosso joelho e quebrar a cara mas a gente tem aquela gana de viver. Não precisamos de um mantra, nem de um conselho milagroso, nem de alguém que se sinta no dever de nos fazer feliz. Precisamos nos fazer feliz, e saber que ta tudo ali nos beijos, na estrada, nos aeroportos, no chão de madeira do seu quarto ou naquela praça que você senta pra não pensar em nada depois do almoço. Ta tudo bem, tanto faz, pra gente nunca vai ser um tanto faz. No final das contas só queremos autonomia de ser quem somos e aprender com quem somos. Bom é viver, se jogar e se desprender. Bom é crescer, construir, se perder as vezes só pra poder voltar. Bom é se desprender, é rir e chorar. É se orgulhar é se arrepender.

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