Enquanto você estiver inteira, corra.
- 17 de nov. de 2016
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Ele estava em casa quando começou a chover lá fora. Com uma xícara de chá na mão, pensava no dia em que te conheceu. Era uma quarta-feira num fim de Outubro e também chovia. Ele foi te encontrar na livraria cultura e não sabia nada além do seu nome. Tinha expectativa zero, lembra? E no fim, foi diferente. Durou um ano. E mudou de casa, mudou de emprego. Ficou em São Paulo quando tinha certeza que voltaria para Ribeirão. Tomou um gole e sentou na cama.
Aos 23 anos você pode tudo. No auge da sua juventude você cozinha o que quer, sai com quem quer. Dorme com quem quiser. Sua liberdade transita entre seu apartamento e seus projetos pessoais. Entre ser adolescente e ser adulto, tu divide sua grana entre uma tatuagem nova, aluguel, ajudar seus pais e programar sua próxima viagem. Você viaja bastante entre corações também. Sentado, ali, pensou no que fez de ruim com ela. Pegou o celular e mandou um pedido de desculpas.
Ela, aos 19 anos, burla sua aula de ética para escrever. Trabalha como redatora e fotografa. Não despreza livros-reportagem e clássicos literários do século XX. Faz faculdade e realmente não liga mais para seus sentimentos infantis. Ela aprendeu da pior maneira que esperar você é tão inútil quanto lavar o carro na chuva. Não adianta insistir quando já se sabe que não vai mudar.
Ela, que agora olha para a paisagem de São Paulo, responde a sua mensagem cautelosamente. É difícil escrever tudo o que tem a dizer sem ser grossa. Lembrando do dia que te conheceu e vendo como se sente agora, percebe o quanto a vida é um ciclo: se conhecer, ficar, gostar, se decepcionar.
Quando tudo começar a dar errado, abandone de vez. Não perca tempo achando justificativas para atitudes ruins. Não se culpe e não deixem que culpem você. Peça desculpas quando ver que errou e se jogue em outro amor. Se já começou torto, larga de vez.
Não é desistir, é se poupar.
Ele a respondeu. Já ela, cansada, preferiu deixar ele lá, afogado em suas emoções.

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