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Ninguém tá feliz

  • 19 de dez. de 2016
  • 2 min de leitura

Sábado. 02am. Somados, nossos 18 verões não dariam uma meia dúzia de histórias. Somados, não dariam um punhado de risadas. Somos a geração frustrada no amor e nem percebemos isso. Um namorado que não quer responder minhas mensagens porque lhe dei um tapa no rosto num acesso de fúria. Somos a geração Rivotril. Uma amiga que é livre, bem sucedida, empoderada. Se afogando em duas taças de vinho. Cristais das taças mais finos que seus sentimentos. Se afogando pra não nadar no desconhecido do outro. Amor não é pra nós. Pra quem é? Uma outra, tão cansada, desistindo dos seus sonhos de casar e constituir uma família. Família não é pra nós. Nós precisamos viajar o mundo.


Tem a que sofreu com o preconceito a vida toda, pra ela o amor vem pesado. E tem quem fuja dele a todo custo. O amor é pior do que o ódio. Pra quem? Nós fugimos de tudo que cause um mínimo esforço. Nós fugimos. E contamos sorrindo na mesa do reencontro. Livres, graças a Deus. De quem? Nos escondemos dos arrepios. Envenenamos as borboletas do estômago.


É sábado, são 02am e eu não posso fazer uma loucura de amor. Falar de amor já é loucura o suficiente. Qualquer atitude que exija um levantar de peso parece ter saído de um seriado dos anos 90. Assistimos o amor de quem quisermos, pagamos 17,90 por mês e revivemos quantas vezes quisermos, assim bem confortáveis. Ninguém tá feliz. Mas estamos livres. Estamos seguros. Estamos com a razão. O amor é coisa de quem não tem tese pra escrever, pesquisa pra concluir. Nós temos coisas mais importantes pra fazer. Nós vamos a cafés, nos empurramos o relacionamento dizendo que tá tudo bem, nos conhecemos estranhos e os deixamos empoeirados. Estranhos. Somos todos estranhos. De dentro pra fora. Sozinhos. Ninguém tá feliz?

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