“Não se esqueça de 2017”
- 2 de jan. de 2017
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Dois meses se passaram entre um oi e outro. Ela decidiu tirar férias, fazer um retiro, se jogar no fundo do poço e correr para longe. Tudo começou numa quarta-feira entre explicações semióticas sobre rótulos de cerveja e trabalho. Dois meses se passaram entre um oi e outro. Entre o rótulo, mais de um ano.
E correu da mesma forma como voltou: cambaleando entre dias bons, ruins e picos de solidão. Ela odeia a solidão e ama um drama, motivos suficientes para entrar em relacionamentos que não chegam nem a uma denominação. Entra, ama, sofre, escreve. Qual a divisa entre insistir e o processo criativo?
Saiu com a cabeça mais leve e o corpo também. Saiu determinada a não voltar atrás. Saiu aliviada como quando se termina aquele livro chato. Saiu do centro de São Paulo sem olhar para trás. Ela voltou atrás, admite o erro, mas era a última vez que isso iria acontecer, vida que segue.
Um dia desses, estava no ônibus de manhã, a caminho do trabalho e pensou no quão fácil estava sendo largar você e seguir com a vida. Ao sair do terminal, seu coração gelou: não era você, mas era tão parecido quanto. A mente se tornou um turbilhão de raiva. Não importa o quanto tente, ela sempre volta.
Naquele dia no centro, você citou um 2017. Mas faz um favor? Corra atrás das suas mulheres padrões. Nem de inspiração você serve mais.
Garota, preserve as lembranças e nunca mais volte a quem já te fez mal.

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