Um conto para chamar de meu
- 6 de jan. de 2017
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Aprendi com Lygia que um conto necessariamente não precisa ter moral, mas sim, clareza. Aquela coisa que você sente quando lê e se envolve, sabe? Aquele sentimento que cresce e transborda e que não dá pra parar. Algumas pessoas querem alguém. Eu só quero um conto para chamar de meu.
Um conto tão meu quanto a minha confiança. Tão rico é tão simples que possa ser compartilhado. Que tenha sentimento, que seja lírico. Tão lírico quanto o caos organizado nas estações de metrô.
Linha vermelha, seis da tarde, dia trinta e um de março, São Paulo. Os participantes da valsa chegam de todos os lugares possíveis. O trem chega, todos avançam. Há quem consiga pegar um par, quem sobra, dança sozinho com as mãos nas barras prateadas.
Tão coreografado quanto um Ballet. As expressões vazias, cansadas, estressadas, tão típico de metrô. Tão típico de São Paulo.
Mas é neste palco que percebemos o quanto somos adultos. E é aí que quero chegar. Santo Amaro, nove e meia da manhã. Entrevista de emprego, a vaga era para redator então fui na fé. Se foi dessa vez ou não eu não sei, o que vale é a experiência.
Acontece que escrever é tão pessoal quanto um estilo musical. Cultivado com tanto amor que deve estar tatuado na pele. "Está no seu sangue, filha, pulsa e todos sentem". Todos. Sentem. Pulsa.

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