As luzes não mentem
- 23 de jan. de 2017
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Três minutos definem o que você pode ser agora. E não importa o quanto ensaiou ou quantos tombos você levou para estar aqui: faltam apenas dois oitos para você entrar naquele palco e o que acontecer aqui é o que irá ficar. A dança é tão cruel quanto viver em São Paulo.
Quando entrou naquele estúdio a primeira vez, e isso faz alguns anos, não esperava se apaixonar por algo que nunca conseguiria ver, não é mesmo? E sei que depois daquele dia, largou tudo para viver daquele sonho. Dançar é largar uma vida, ganhar outra e perceber que sua antiga era uma farsa.
As luzes se apagam enquanto você se posiciona. Sente sua respiração e sabe pelas batidas de seu coração que você está em casa. Se jogue e não pense em nada, eles disseram: mal sabiam que a familiaridade era tanta que ir não é o problema. Mas partir era.
Mal de bailarino enxergar a vida colorida e en dehors. Mal de bailarino se alongar, comer salada, gastar o salário em roupas de dança. Mal de bailarino confiar na bondade, educação e disciplina. Bailarino que é bailarino sofre com os tapas cinzas que a vida distribui, com a maldade alheia, com as crianças na rua sentadas no chão. Dançar parte da alma: é sentimento puro. Sei que toda a vez que sai de um ensaio os problemas saem junto.
Vá além do seu limite e além do que você vê. Subestime seu corpo, transpire e faça novamente o caminho, dessa vez, em paralelo. Sinta cada braço, curta aquela dor muscular que dura dois dias. Sinta-se vivo, sinta-se novo. Nasça de novo. Dance.

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