Vai ser rápido, eu juro.
- 31 de jan. de 2017
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Foto de Kamilla Florêncio
Sei que são duas da manhã e você estava dormindo, mas abre a porta da sua casa e me escuta, por favor: nesse seu infinito de contradições eu sei que um pouco de mim ainda está ancorado em você. Nesse seu mar que hoje navega para outro alguém, sei que ao menos uma lembrança você tem. Olha, eu sei que são duas da manhã e estou parada aqui fora. Me deixe entrar pela última vez.
Lembro-me que costumávamos ficar aqui, deitados nesse seu colchão tomando cerveja e rindo da vida. Você costumava inverter as histórias e chamar todas as outras de amiga. Eu acreditava tolamente que um dia daria valor para mim, mas você, nesse seu jogo de relacionamento aberto machucou meu coração. Quem sofre até hoje é a cabeça.
É difícil de esquecer, me pego chorando muitas vezes na minha casa jurando para a garrafa de vinho que iria ser só hoje. É a última vez. Nunca mais chorarei por você. Mas choro e fico acordada de madrugada olhando o vazio e é por isso que hoje estou aqui, olhando na sua cara para te dizer que é difícil, mas vai passar.
Não sinto sua falta como deve estar pensando, não mesmo. Mas sua companhia, mesmo que mesclado com todo o sentimento que existia na época, me fazia bem. E eu estou feliz de alma em saber que está com outra. Só me faz um favor: faça o contrário do que fez comigo.
Sei que são duas da manhã e você provavelmente está dormindo, mas não posso perder a oportunidade de gritar para você não fazer merda, nem que seja por carta.

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