Metade.
- 9 de fev. de 2017
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Foto de Julianna Natalli
As paredes do quarto desmoronam enquanto eu começo a chorar. Faz uma semana que o sol perdeu a cor e passei a ver tudo embaçado. Não sei o que estou fazendo, mas sei que não posso parar. Quem me olha de longe vê uma máscara. Não posso deixar cair.
Preciso parar de lutar contra meus desejos por que já estão me machucando demais. Preciso abrir essa janela e respirar um pouco de ar, largar ele de vez e dar uma chance pra mim. Não deve ser tão ruim mesmo parecendo errado. Eu vou dar uma chance para mim.
Pisciana e avoada, se atrapalha com as próprias coisas. Aprendeu a cantar, tocar violão, fazer cera para depilação caseira e lasanha vegetariana: tudo em um mês. No coração, guarda um amor enorme pela família e seus filhos: são 9 cães e 1 gato. Carrega a inocência no coração para não pegar rancor por ninguém.
Não tem vergonha de assumir a ignorância e às vezes acho que esse seu “não saber de algo” a torna um charme da cabeça aos pés. Aos poucos, aprendeu a separar religião de amor. Seguiu seus instintos e encontrou sua metade nela mesma. Mas logo transbordou ao encontrar ela.
Em menos de um mês entendeu o amor, passou por cima dos seus próprios preconceitos e hoje aquele seu sorriso, que sempre foi lindo, passa uma mensagem: siga sua vida, vá atrás da sua felicidade mesmo que tenha que passar por cima de você mesma.
As paredes do quarto não desmoronam mais e se for pra chorar, é de felicidade. Faz 2 meses que o sol voltou brilhando e passei a enxergar tudo bem mais nítido. Hoje eu sei o que estou fazendo e não quero parar. Quem me olha de longe vê minha alma.
E eu tenho orgulho de mim.

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