Imensidão
- 2 de abr. de 2017
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Era uma quinta-feira, aquela tipica do mês de março, com o gosto ameno de outono onde o entardecer costuma ser alaranjado e a gente se da conta da imensidão e do mistério que é viver.
Sentir a imensidão nos mostra como o nosso corpo é frágil, como a nossa alma se quebra e como tudo pode morrer, como as flores morrem, como nossos ossos se cansam e nossos olhos se enrugam - naquele dia nós esquecemos da chuva que caia lá fora porque descobrimos que a tristeza criou virtudes em nós que alegria nenhuma poderia nos dar. Aprendamos que nada é fácil por aqui
E eu me perguntei onde eu acharia um amor como esse? Eu desci a rua pensando que de nada adiantaria conquistar o mundo, se eu não sentisse meu coração queimar e perdesse meu coração em você
E no meio da noite a gente percebe que nunca vai encontrar todas as respostas, e ta tudo bem porque tudo que importa esta bem ali. Estava bem ali nos gritos, nos desabafos, nos segredos guardados no sétimo andar, nas manhas que acordamos com as pontas do pês congelados. Estava ali tornando tudo vivo fazendo a nossa pele sentir, fazendo os olhos enxergarem.
E mesmo nós adultos feitos em nossos 20 e poucos anos sentimos as fragilidades que carregamos no peito, como crianças que sentem medo do escuro. E as fragilidades nos ensinaram que nossas mãos só tocam os céus quando nossos joelhos vão ao encontro do chão, que a gente só se encontra quando abre mão de todo o resto, que a gente só encontra o amor quando deixamos que ele nos faça companhia na nossa luta contra nosso orgulho. Viver é guerra e naquela quinta-feira eu entrei naquele elevador pedindo baixinho, subindo até o telhado para que eu ainda tivesse forças para lutar.

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