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Você sorri pra todo mundo

  • 16 de abr. de 2017
  • 1 min de leitura


Foi naquele bar. Na Peixoto. Na fila com a mulher do caixa. Foi quando subimos a Augusta e sem querer esbarrou naquele cara. Você me trata com o mesmo amor que trata a todos. Não entendo como pode sorrir para todo mundo.

Esses lábios tão meus. E você os usa para qualquer um. Até os cachorros você abraça mais demorado do que a mim. E aquele batom roxo que estava usando na faculdade é o mesmo que usa ao me ver. Eu odeio batom.


Acabei odiando você.


Talvez um dia eu perceba que a maquiagem lhe dava um ar maduro, que as cervejas tomadas não foram a esmo, que felicidade é pessoal. Que liberdade é apenas questão de ser.


Não.


Hoje vou te bloquear em tudo, entrar no meu quarto e jogar até dormir. Sair e voltar amanhã. Ligar para a Roberta, Mariana e para a Leila. Hoje estou solteiro, eu posso.


Vou voltar ao meu orgulho e cinismo. Mas quando eu perceber que o problema era realmente eu? Um dia vou aprender que não se trata uma mulher do jeito que tratei você.


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