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25/04/2017

  • 2 de jun. de 2017
  • 1 min de leitura

Entrou pela porta da frente e com os olhos baixos, passou a caminhar. A sala estava quente e as cortinas mal se moviam. Sentou-se no chão, retirou os lápis antigos e em seu caderno passou a rabiscar.


Dias difíceis de saudade, ela disse. Ainda me lembro quando passávamos os dias juntas. Hoje, virou desenho.


Dias difíceis esses, de saudade. De carinho, amizade, amor. Tão distantes fisicamente, mas tão próximos de alma. Dias difíceis em que sorri e não te vi, sofri e não te vi. Eu não te vi. E não te ver me sufoca.


Mas alivia. A alma. Saber que tudo está igual alivia a minha alma. E saber que independente da distância uma ainda apoia a outra. Ela pegou o lápis roxo, olhou para mim e sorriu.


Acho que no fundo ela me desenha também. Sabe, no fundo eu sei. Tomou um gole de suco, ergueu o desenho e perguntou se estava bom. Abri a boca, não saiu som. Aos poucos, tudo ficou branco.


Acordei.


Não tinha mulher, não tinha lápis. Só tinha eu: sozinha e morrendo de saudades.


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