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O arrepio que ela me trouxe

  • 2 de jun. de 2017
  • 2 min de leitura





Ela tinha voz de Vênus e cabelos de Afrodite, o sorriso dela era bobo como de uma criança mas o olhar era tão autoritário como a estatua de Nefertite, porque meio sem querer ela saia por ai despertando o amor de culpados e inocentes sem a intenção de ama-los. Seu cheiro era doce como jasmim, mas ela sabia muito bem que as vezes soava como má. Seu amor era manso, seu jeito astuto que jamais conteve seus impulsos de dar de ombros e ignorar a maioria das coisas, Ela foi como uma chuva que chegou na hora errada me ensopou e me deixou passando frio e logo depois abriu seu olhar cheio de sol para me dar e aquecer. Seu amor é verão e inverno, é doce e indiferente. E foi com seus olhos de águia que ela me prendeu e como uma raposa me envolveu e depois agiu como uma gata cheia de sua independência e sem querer se explicar sem ao menos apontar suas razoes que pra ela é sempre deixar estar.


E eu aqui bebendo saudades, ficando velho e aprendendo com as rasteiras que ela me deu, com o amor que ainda restou e o ultimo beijo que guardei, naquela noite eu vi ela passando a porta do meu apartamento, ela olhou pra trás e foi um olhar de adeus, ela se foi mas ficou aqui dentro de mim.

Em noites como essa essas em que posso ouvir a chuva batendo em minha janela e minha mente como num projetor traz na parede do meu quarto memorias e sentimentos que se entrelaçam em meus olhos


E por mais que me doa eu jamais ousaria esquecer dela e do arrepio que ela me traz. ela me tocou como ninguém antes.

Nossas memorias não foram feitas para serem esquecidas ou ignoradas, algumas pessoas passam na nossa vida por alguma razão, muitas das vezes razoes que eu demoro pra entender ,são as lembranças como um pleonasmo, redundante de alguém que chegou e bagunçou tudo e foi embora sem que eu pudesse entender também.


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