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Sem a escuridão seria impossível enxergar as estrelas

  • 11 de jul. de 2017
  • 2 min de leitura


Depois de muito tempo eu senti que não tinha nenhum vazio dentro de mim. Eu fechei os olhos e estava caindo, caindo como as folhas vão se esparramando uma por uma. E eu fui dedilhando os dedos pela minha taça de vinho meio cheia, meio vazia. Seria a felicidade algo tão frágil assim? E é preciso vigia-la para não perde-la.


As vezes a gente meio que aprende a gostar de ser quem somos. E dai amor, que eu fui me tornando essa mulher que não gosta de se submeter a qualquer paixão. Me desculpa se recusei antes ou se vou recusar depois é que as vezes é tão bom estar só. É bom estar aqui tocando meu piano e me esforçando para ler Tolstoi sem dormir é bom chorar ao som de Los Hermanos e no segundo seguinte me pegar rindo de alguem meme da internet.


Quando dei por mim tinha acabado minha garrafa de Cabernet eu desliguei o celular. Desculpa se ainda não te liguei. Só de pensar em sentir eu sinto um precipício. Então me diga como realmente é? Fazer aquilo que você realmente quer fazer?


E hoje eu posso dizer que to feliz, feliz por ter trilhado certos caminhos que me trouxessem até aqui. E talvez hoje eu entenda que sem a escuridão seria impossível enxergar as estrelas. Que sem o silêncio seria impossível escutar tua voz


E dia desses eu caminhei pela cidade, carregando um novo começo dentro da bolsa. E meus segredos ficaram guardados no seu travesseiro. Talvez sair daqui as vezes é como um fogo cruzado, mas a gente vai ganhando força. E tem noites que a gente esquece a tempestade que tanto bate na janela. Mas só por hoje me deixa aqui sentindo aquele frio na barriga por ser quem sou.


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