Minha cor, em um dia cinza.
- 18 de jul. de 2017
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Chove em São Paulo, depois de um mês. Aqui costuma ser uma cidade de poucos amigos, muitos amores, dias cinzas e muita chuva, mas faz um mês que não chove e que você foi embora. Na minha cabeça faz sentido a terra estar limpando nossos rastros só agora, quando não sinto mais nada além da fumaça dos carros, o aperto das pessoas no ônibus e uma incrível nostalgia do café que tomei pela manhã. A primeira gota cai do céu. Não posso perder a oportunidade de escrever que agora sim, posso recomeçar.
Inverno foi feito para nos lembrar que emoções são sazonais. Nos apaixonamos, desapaixonamos, reapaixonamos, casamos em nossas mentes e nos divorciamos tão tragicamente que, aos 19 anos, tenho um histórico infinito de fins. E o cinza serve exatamente para isso: nos lembrar que somos seres feitos para sermos completos sozinhos.
Minha mãe costuma dizer que me doo demais. Ela sim é um exemplo de alguém que sabe respeitar o próprio espaço. Eu não sei mesmo, deve ser por isso que bato tanto a cabeça. Ela, que hoje completa mais uma primavera, é a inspiração que me rege (mesmo não fazendo quase nada que ela me sugere. As vezes quando o faço, as coisas fluem e realmente dão certo. E ela sempre sabe mesmo sem eu falar).
Minha vida seria monótona sem nossas conversas sobre assuntos sérios, sem os filmes que assistimos porque ela precisa fazer uma análise, sem o nosso gosto peculiar de livros e nossa vontade de estudar. Não peguei a calma de minha mãe, mas como eu queria.
Hoje é um dia cinza, totalmente o contrário dela. Ela é cor, é vida. É a luz na escuridão e transparece isso na profissão. Nasceu pra cuidar dos outros, como cuida de mim. E como cuida. Não penso em um dia, deixa-la. Horas sem ela é um estopim para uma catástrofe em casa. É o pilar da nossa casa, o equilíbrio que nos falta.
É o amor que nunca passa. Que me socorre. Me acalma.
Feliz aniversário, Mãe.

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