"Na vida, tudo é questão de dançar conforme a música"
- 30 de jul. de 2017
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Abro meu caderno de anotações na expectativa de ter alguma vírgula que me guie hoje. Achei versos, meias histórias com verdades inventadas. Projetos de crônicas sem sucesso. Meu caderno, por mais que esteja praticamente com todas as páginas tomadas por pensamentos, não tinha nada. Um papel em branco me serviria mais ou só uma mente vazia para retomar meus pensamentos. Aprendi a me guiar na minha própria confusão. Preciso saber dançar conforme a música.
Não é um processo fácil, existe muita resistência corporal e psicológica. São esforços contrários a anatomia. É questão de saber ser guiado para, um dia, saber se guiar. É entender que seu corpo é um elástico, e como um bom elástico, tudo que vai acaba voltando. Forças extremas. Proporcionais. Ensaios sem fim, uma barra como apoio e inimizade. Suor. Lágrimas. Orgulho.
E nenhuma música é igual: as de centro nos fazem acreditar que a aula será leve, as de saltos já nos fazem repensar em nossas atitudes e em nosso papel na sociedade. A música de barra faz passar pela nossa cabeça o porquê de pagarmos para sofrer. Mas quando todas as músicas acabam, sobra a saudade. E que saudade que não passa.
Na aula seguinte, outros processos. Outras dores, outros trabalhos. Quem dança é a prova viva de que para sobreviver, precisa se reinventar dentro de fora de qualquer palco. Que a vida se trata de dois mundos.
Você vive o que sente no seu coração? Quantas máscaras você precisa vestir para sair de casa?
Abro meu caderno de anotações na expectativa de ter alguma vírgula que me guie hoje. E tudo ali escrito, me trouxe até aqui.
Mesmo que inconsciente.

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