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Despedidas.

  • 14 de ago. de 2017
  • 2 min de leitura

Luana acordou e decidiu seguir a vida como aquelas canções de apartamento. Eu não entendi muito bem, mas ela abriu um sorriso e disse que canções de apartamento são aquelas que você sente um conforto em seguir a vida sozinha, mesmo que, com todas as contas para pagar e apenas salsichas na geladeira, pareça não ter muita solução.


Ela mais trabalha do que estuda. E é o contrário de mim, que deixa as coisas para a última hora e não arruma a cama quando levanta de manhã. Ela me deixou a três anos e as vezes sinto o cheiro do café que costumava fazer. Ontem, a encontrei num bar e nossa conversa durou alguns minutos. Luana, se você estiver lendo isso agora: queria que aquela conversa durasse para sempre.


E queria sentir aquele mesmo gosto de cerveja com cigarro. Aquele abraço apertado como se fôssemos grandes amigos. Infelizmente, como grandes amores que fomos, não será possível. A cafeteira eu continuo usando, sabia? E ainda tomo coca-cola na caneca como você costuma beber. Ou costumava, não sei mais nada de você.


Luana costuma sair todos os finais de semana e tem muitos amigos. Mas se sair sozinha, não tem problema não: ela conversa com qualquer um. Eu chamo isso de charme. Luana é o contrário de mim, que não consegue dar bom dia para o porteiro por vergonha e só dança trancado no quarto. A cafeteira eu continuo usando, sabia? E tomo café todos os dias de manhã, mesmo não gostando.


Ontem ela estava acompanhada e pela cor do batom combinando com as das unhas, sei que não era um amigo. Ela costumava fazer isso comigo quando íamos jantar em algum lugar ou quando chegava em casa depois de um dia longo, mas sabia que iria me ver. A cafeteira eu continuo usando, mas eu nem sei por que eu faço café.


Já é amargo o sabor de te amar.

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