Amuleto da sorte
- 3 de set. de 2017
- 2 min de leitura

Voce pode ler ao som de : LÉON - Surround Me
Era uma outra sexta a noite qualquer comigo mesmo, entrando na estação da Fradique Coutinho, o celular tremeu dentro do meu bolso…. toda vez que ela cruza minha cabeça eu me torno um cara bobo. Ela me achou perdido nas incertezas da vida. Meu amor deixa eu te levar pra dançar e te beijar em um terraço de um prédio qualquer.
A porta do trem fechou, mas ela não esqueceu de me dizer um até logo com os olhos, eu não deixaria ela dizer adeus, e nem que fosse só um instante. Eu não deixaria ela pegar sua passagem de ida, sem me prometer que voltaria na semana que vem. Voltaria cheia de sua presença substancial, cheia de sorrisos desencanados e aquele cabelo que insiste em ficar no rosto. Seu drama que guarda e sua autossuficiência irritante.
Já estamos cansados de brincar de tanto faz, já cansamos da realidade cinza, dos silêncios constrangedores de elevador e dos óculos de sol que esconde as linhas de expressão. Ela costuma colocar aquela música pra tocar e sorri cheia de sabor da vida, sábado de manhã no meu travesseiro brilha mais que a luz do sol e de repente ela é minha.
Eu caminhei por ai com com alguns talvezes - perdido de bar em bar . E agora eu sei que o destino nos mantém aquecidos, que os acasos cruzam. E tudo que não nos faz feliz é melhor deixar no meio do caminho, porque nossa jornada é só nossa e de mais ninguém.
E ela me disse que resolveu apreciar uma vida sem os rótulos, ao som do mar, das folhas, sem as regras estabelecidas.
Mas mesmo que as pessoas nos digam que temos que parar de procurar um significado para tudo, ela me ensinou certinho que temos que procurar sinais sim, que talvez aquele relicário que ela carrega consigo traga-lhe um pouco de sorte e que sua tatuagem na costela lhe traga lembrança da proteção.
Ela diz que quando chove o mundo está querendo nos dizer alguma coisa, que quando o sol invade a janela do quarto o universo está conspirando ao nosso favor.
E naquele dia enquanto ela gritava comigo no meio do estacionamento com aquela cara de brava eu percebi que ela era meu amuleto de sorte, era o que eu já me fazia dependente e queria estar dependente, deixar por perto pra não deixar escapar,e que nem o tempo tivesse a força de leva-la para longe. E eu percebi que não deveria ter medo de deixar a vida nos tocar, nos bagunçar e nos guiar pra onde quer que fosse.

Comentários