Pena que sobra tempo para (pensar em) te ver
- 14 de set. de 2017
- 2 min de leitura

Quando acordo e você sai da cama eu entendo como não consigo te largar. Quando estou no banheiro escovando os dentes, bebendo um vinho chique em um copo de plástico, postergando dez minutos no trabalho eu entendo como não consigo te largar. Você me sufoca. Todos os dias.
Você está quando me sinto sozinha. Quando perco meu chão e preciso de alguém para me escorar. Quando acho que deveria mudar meu corte de cabelo enquanto bebo demais no salão e como desculpa, acabo cortando igual. Me faz sentir viva. Mas não me deixa dormir. Você está presente em todos os momentos.
Por que se você, cansaço mental, fosse uma pessoa: te amaria da mesma forma que amaria te largar.
Passamos uma vida tentando recuperar o que nossa mente diz que um dia foi nos dado. E assim viramos noites a fio sentindo-se um proletariado útil 24 horas por dia. Temos nossos empregos, freelas, projetos e amores mas não acho que isso adiante quando a cabeça não processa três linhas de um livro infantil qualquer.
Tomo um café. Dois. Três.
Você não passa.
Por que não passa?
Lembro-me de quando cheguei na sua rua a um mês atrás. Eram 23 horas e eu estava visivelmente bêbada, mas você veio até mim mesmo tendo caído de algum lugar no final de semana anterior e ganhado um belo hematoma impossível de alguém normal conseguir andar. Você estava roxo de dor (espero que não internamente também), mas me acompanhou até minha casa mesmo assim.
Bateu saudade das brigas por bacon. Sempre bate.
Quando você se foi eu fiquei assim. E de compromisso em compromisso, me atolo em pensamentos sérios demais para perceber que você, definitivamente, se foi. Mas já passou, digo sempre bem baixinho para mim que vai ficar tudo bem.
O coração dispara, mãos tremem e o corpo trava. Mas sempre sobra tempo.
Pra lembrar de você de novo.
(Alguém quer ajuda? Juro que ainda tenho tempo livre...)

Comentários