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Mas hoje poderia ser proibido ter aula.

  • 28 de set. de 2017
  • 1 min de leitura


A sala estava vazia porque toda quinta-feira os bares lá foram lotam e ninguém quer estudar, pegar um livro emprestado na biblioteca ou comparecer a aula para batucar canetas como quem não quer nada. Talvez eles não queiram mesmo.

Talvez, nem eu.

Pois toda a vez que perco o foco penso no azul, que ao subir, fazem as pessoas perderem a lucidez. Perco meu eu sem os pés que antes se queimavam no linóleo dos teatros de São Paulo e hoje estão na areia fina. Perco a vontade de ver meu filme preferido, de apertar obturador da minha vida sem se preocupar com o iso. Quando perco o foco, não lembro de você e muito menos de mim.

Mas lembro de como tudo era razoavelmente mais fácil.

De quando os abraços eram demorados, do quanto faz bem sentir a vibração dos corpos em uma manifestação. Das idas ao Ibirapuera depois de um dia de trabalho, dos litrões somados com beijos que desperdicei, mas que não faria sentido guarda-los.

A vida era mais fácil com a feira de livros no terminal Bandeira, com as três cervejas por cinco. Mas agora, sentada nessa sala esperando a aula acabar, percebo que se não estivesse aqui hoje, não teria a oportunidade de ter curtido o caminho.

Não vou desafiar os astros. Professor, que horas tu vai dar intervalo?

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