Aos que um dia irão amar alguém.
- 12 de dez. de 2017
- 2 min de leitura

Arrumou seu quarto depois de 3 semanas. O amontoado de roupas o impedia de andar. E pensar. E ao sentar na cama e ver tudo organizado, ajeitou suas revistas na cabeceira a fim de procurar aquele papel de bala que guardou porque pegou do carro dela. Jogou no lixo. A mente vazia, oficina do papel de otária, a faz pegar o celular.
9 números. Toca, não atende. Ela nunca atende.
Refém de mentiras pré estabelecidas, pregadas na minha cabeça com toda a expectativa que eu inventei, cultivei, plantei. Aos poucos, me agarro à enxada na esperança de tirar você pela raíz. Um dia de cada vez, as vezes sonho com você. As vezes faço piadas sobre você. As vezes odeio você. Mas sempre é você.
E eu me odeio por isso.
Odeio porque quando curto uma cerveja com meus amigos, olho pro lado na esperança de você passar por ali, despercebida. E quando estou no centro da cidade, as vezes entre a Mário de Andrade e a Roosevelt me pergunto o porquê de você não gostar dali. Eu amo o centro de São Paulo. Não amo você, sei que é uma brisa passageira e que daqui a alguns meses esse texto servirá de conforto para outras situações com outras pessoas.
Mas se um dia eu amar alguém, que venha tranquilo. Que dure por anos. Que venha sem passados arrastados pelas correntes. Que venha sem amarras à pré conceitos. Só espero que um dia venha.
Porquê estou cansada de esperar ela acordar. De ligar e não atender. De correr atrás e saber que esse número de telefone está fora de área ou desligado, e será sujeito a cobrança após o sinal.

Comentários