Ascensão.
- 27 de dez. de 2017
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O inferno não são os outros, Halla. Fecho o livro pensando em como essas seis palavras me fazem pensar que enquanto estou aqui remoendo coisas que fiz e pensando em como me desculpar, pessoas que me magoaram andam felizes. Tenho bebido demais ultimamente. Lendo Valter Hugo Mãe demais. Me apegando demais em quem não me merece. Halla, eu estou perdida.
Mas peço perdão a todos em que magoei em 2017. Inclusive a mim.
Carrego as baterias, zero os cartões de memória. Me arrumo para a guerra. Mas Halla, é apenas um encontro, né? Que levam minhas palavras, roubam minha paz. Que enquanto levo para viajar, recebo a indiferença e descaso. Que corre atrás hoje depois que decidi não querer nada. Sigo encontrando você em letras de um pagode qualquer, mas não me afeta não.
Descobri que inferno não são os outros. O inferno é criar expectativas de que um dia os outros serão como você.
Que em 2018 eu encontre a minha paz. Que eu largue todos os vícios ruins. Que me traga mais respeito com minha família e amigos. Que eu consiga achar meu rumo.
Abro meu livro, já são uma da manhã. Amanhã ninguém trabalha. Amanhã ninguém se preocupa com a bolsa de valores. Amanhã ainda é tão distante. É uma utopia.
O amanhã é como você: que enquanto não se afirma, ainda não existe. Pelo menos para mim, não mais.

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