Falando em coisas pequenas.
- 19 de mar. de 2018
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Lygia Fagundes costuma prestar atenção nos detalhes, descrevendo um passarinho preso em teu quarto com calma, delicadeza e muita maestria. Nunca vou conseguir entender como alguém tem a capacidade de passar paz pela escrita, tirar sorrisos e choros. Mas ela consegue muito bem descrever uma noite bebendo pelas ruas de algum país da Europa com Clarice Lispector a ponto de me sentir ali, com elas. É a forma como descreve o andar, como parece perceber os cheiros, como a janela e a porta fechada conseguiu trazer aquele pequeno animal, que voou até pousar na cabeceira da cama.
Estou falando de coisas pequenas que parecem gigantes, como a nossa diferença de tamanho e idade. Como tua preocupação com qualquer passo que tomo, qualquer decisão que parece usar mais a minha emoção do que a razão. Porque somos parecidas e você já sofreu muito, por isso, tenta me poupar de ter mais uma vez o coração partido.
Naquela noite, depois de me mostrar suas fotos de viagens e tomado o segundo mojito, sabia que não seria uma noite comum: não pela conversa descontraída e os abraços sinceros. Mas pelo toque da tua mão na minha. Um carinho, tão mínimo a ponto de se passar despercebido. A forma como me abraçou naquele bar.
A forma como se declarou naquele pub.
Desses 6 anos que nos separam, aprendi que quando bate o amor, tudo flui. E que agora tudo poderia estar dando tudo errado, mas que se eu estiver com você do meu lado tentando adivinhar a cor do meu olho eu vou estar em pé. Vou estar bem.
Você me disse que o coração acelerado e a vontade de se ver todos os dias era apenas para os adolescentes. E é lindo saber que estou quebrando todas as regras que inconscientemente, você colocou. Para todos os seus medos, sonhos e angústias, estarei aqui para ajudar a dividir também.
Obrigada por entrar de cabeça. Somos merecedoras de tudo. Estou pronta para criar o nosso mundo.

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